30 de agosto de 2014

Ricardo Kotsho está com Dilma, este blog também

Ricardo Kotsho: Marina não é “Lula de saias”, mas Jânio e Collor


Por Ricardo Kotsho

Advertência necessária: quero deixar bem claro, antes de começar a escrever este texto, no qual venho pensando desde que Marina Silva explodiu como candidata favorita a presidente da República, após a tragédia aérea que matou Eduardo Campos, para que ninguém entenda errado o título: não se trata de uma comparação entre pessoas e suas trajetórias de vida, mas entre fenômenos políticos.

Nos últimos dias, apareceram muitos comentários na mídia comparando Marina a Lula, ambos com origens bem humildes e histórias de vida comoventes, que acabaram construindo seus próprios caminhos, os dois fundadores do PT e vitoriosos em suas caminhadas. Por diferentes caminhos, eles agora se encontram frente a frente em mais uma disputa pela Presidência da República do Brasil, e há quem chame Marina de "Lula de saias", a mulher que desafia Dilma Rousseff, candidata de Lula.


A única vantagem de ficar velho, trabalhando no mesmo ofício, é ser testemunha de tantas histórias acontecidas ao longo deste enredo político dos últimos 50 anos. Conheci e convivi com os quatro personagens citados no título deste artigo e tenho condições de escrever sobre as coincidências e as diferenças entre eles.

Chamar Marina de "Lula de saias" é um grande equívoco. O professor mato-grossense Jânio Quadros, o playboy alagoano Fernando Collor, o metalúrgico pernambucano Lula, criado no ABC paulista, e a ambientalista acreana Marina da Silva chegaram onde chegaram por caminhos muito diferentes.

Embora os quatro sejam um retrato da diversidade social brasileira, com algumas semelhanças no surgimento do fenômeno político, há enormes abismos entre as motivações e os apoiadores das suas candidaturas. Jânio, Collor e Marina têm um ponto em comum: lançaram-se candidatos com discursos contra a "velha política", à margem dos grandes partidos, prometendo nas campanhas criar um "novo Brasil" e uma "nova política", baseados unicamente em suas vontades e carismas, como se isso fosse possível. Pelos exemplos do passado, sabemos que isso não dá muito certo.

Os três lançaram candidaturas mais simbólicas do que reais: Jânio era o "homem da vassoura" e Collor o "caçador de marajás", ambos tendo como bandeira o combate à corrupção, a bordo do velho mantra udenista, moralista e hipócrita.  Na mesma linha, Marina também aparece como a candidata "contra tudo isto que está aí", a bordo das manifestações de protesto de junho de 2013, candidata provisoriamente abrigada no PSB, partido do falecido Eduardo Campos que, até meados do ano passado, estava na base aliada do governo petista.

Ao contrário destes três fenômenos eleitorais anteriores, bancados todos pela grana gorda do empresariado paulista, sempre  em busca de um candidato viável que atenda aos seus interesses,  Lula só foi eleito presidente da República em 2002, depois de três campanhas presidenciais fracassadas, e da longa construção de um amplo apoio na sociedade civil, que começou pelos sindicatos, passou pelos meios acadêmicos e culturais, e conquistou a juventude, combatendo justamente estes grandes barões paulistas aboletados na Fiesp e na Febraban, que financiaram Jânio, Collor e, agora, Marina, para evitar que seus inimigos de classe chegassem ao poder central.

Não tenhamos ilusões neste momento: é exatamente isto que está em jogo, não as personalidades de Marina e Dilma, os seus defeitos e virtudes pessoais, que são subjetivos. O mais importante é saber quem está de que lado, quais os interesses de classe que estão em disputa, quem apoia quem e por qual motivo.

Eu nunca escondi de que lado estou: diante deste quadro, apoio Dilma Rousseff, com certeza.

25 de agosto de 2014

Sobre a farsa chamada Marina Silva

Boa análise de Cristina Castro em sua página do Face


De uma certa forma, são alterações profundas sem qualquer consulta ou participação popular. Explico melhor, um projeto já pronto ( desconhecido pela quase totalidade da sociedade ) tem que ser implantado a qualquer preço, se puder contar com apoio popular, ótimo; se não der, azar... 

Candidaturas avulsas, lembram? Pois bem, o que é a candidatura Marina, senão uma candidatura avulsa? O PSB empresta a legenda mas não se compromete e nem exige compromisso da candidata...

Mudar de qualquer  jeito mesmo sem saber o que vai acontecer... Uma eventual vitória de Marina é isso; não terá base no congresso pq não tem partido ( o tal " sem partido, taí ) e deve alegar que governará com o "povo" ( democracia direta ). Obviamente o fiador de um governo como esse, sem Legislativo ( crise de representatividade ) será o Judiciário com o tal de Novo Direito e o tal de protagonismo do Judiciário.

Marina e Aécio são dois lados de uma mesma moeda simulando conflito; ao fim e ao cabo, um apoiará o outro e ambos tem a Mídia. Assim como JB ( que provavelmente voltará a cena ) tinha a função de condenar lideranças políticas para arrebentar a base aliada no Congresso; Marina tem como função, apenas catalizar votos para legitimar o projeto e depois sairá de cena ou figurará como uma rainha da Inglaterra... Depois de apear os trabalhistas do Poder, é só lançar mão do tal de Ficha-Limpa e temos aí mais 20 anos do sionismo midiático.

Qdo a gente dá uma olhada no mundo, percebe que estão correndo contra o tempo e que o Brasil não poderá passar de outubro de 2014. Todas as forças unidas contra o trabalhismo e, é óbvio, no dia seguinte às eleições, não terá sido ninguém.

O ponto que eu considero o mais importante de todos que é deixar muito claro para todo mundo quem foram os facilitadores/fiadores do projeto Soros; as Universidades públicas ( mestres e alunos ) foram os grandes entusiastas e abriram as portas do país para essa entrega. acho muito importante deixar isso claro pq, depois, é aquele papo de comissão da verdade... tudo sobra para os militares e quem armou a arapuca mesmo desaparece e continua fazendo mais do mesmo até hoje. Basta que se entregue um milico de pijama com 103 anos e o pessoal entende resolvida a questão da ditadura. Collor, foi eleito por ninguém e derrubado por "caras pintada"; ou seja, eleito e derrubado por ninguém. As " ruas" apresentaram alunos e professores, fortemente financiados, com rostos cobertos tentando passar-se por " povo" para garantir o anonimato eximindo-se de qq responsabilidade acerca do que viria depois. O que quer que aconteça, será atribuído a ninguém. Só essa intenção já deveria deixar claro o que esse projeto significa para o país e a consciência plena dos que estão envolvidos nele.

24 de agosto de 2014

O que levou Gilmar Mendes a dar Habeas Corpus a esse monstro?

Paulo Nogueira no DCM

O dinheiro compra até o amor verdadeiro. Entre tantas frases soberbas, esta é minha preferida de Nelson Rodrigues, o maior frasista brasileiro.
Ela me veio automaticamente à mente quando refleti sobre uma questão que vem fascinando muitos brasileiros: como uma mulher bonita e brilhante como Larissa Sacco foi capaz de largar tudo para ficar com o médico Roger Abdelmassih.
As pessoas ficam intrigadas porque pensam no Abdelmassih de hoje, envolto em denúncias de estupros em série que lhe dão a merecida reputação de monstro.
Mas o Abdelmassih que Larissa conheceu, em 2008, era um superstar, uma espécie de Mick Jagger da fertilização.
Ele era personagem ubíqua nas emissoras de televisão e nas páginas de jornais e revistas.
Tinha uma clientela de celebridades, e era aquele tipo de homem a quem não basta ser rico: os outros têm que saber.
Levava uma vida de ostentação, segundo os que o conheciam. Podia passar um final de semana em Paris, e era conhecido seu apreço por Mercedes pretas, paixão que afinal contribuiria para que ele fosse localizado no Paraguai.
Larissa era, então, uma mulher de 31 anos que desejava engravidar do namorado da época.
E que tinha, segundo as amigas, uma paixão por coisas caras, coisas potencialmente incompatíveis mesmo para seu bom salário de procuradora.
Abdemalssih era, em sua versão glamorosa de 2008, a resposta para todos os anseios materiais – e mesmo maternais — de Larissa.
Não bastasse isso, a mulher dele estava morrendo de câncer. O campo estava aberto, portanto.
Mesmo no Paraguai, com o marido em fuga, Larissa viveu num luxo muito acima de sua realidade de filha da classe média.
Abdelmassih foi, até recentemente, o meio pelo qual a ambiciosa Larissa pôde realizar seus sonhos de alpinista social.
Pelas características de ambos, entendo, contra a corrente, que não há mistério nenhum no casamento deles.
Sobre o que a levou a ele já falei. E o que o conduziu a ela é fruto da vaidade lúbrica –tarada mesmo — dele.
Uma mulher jovem, bonita, que ele podia ter e exibir ao mundo sem a necessidade criminosa de dopar em seu consultório, bem, tal mulher era um troféu extraordinário para Abdelmassih.
Tudo se encaixa na história, a meu ver.
Exceto uma coisa: o habeas corpus dado a Abdelmassih por Gilmar Mendes quando já se sabia que ele estuprara dezenas de mulheres de uma forma particularmente abjeta.
Me dei ao trabalho de ler a sentença completa de GM, lavrada em dezembro de 2009.
O ponto que mais me chamou a atenção foi o seguinte. Gilmar Mendes afirmou que, como Abdelmassih sempre se apresentara quando chamado pela Justiça no período em que estava em liberdade, não havia razão para temer que ele se aproveitasse do habeas corpus para fugir.
Quer dizer: para o juiz, Abdelmassih tinha princípios morais que o fariam aceitar sua pena estoicamente.
No mundo encantado de Gilmar,  Abdelmassih renunciaria a seus luxos, aos prazeres carnais proporcionados pela jovem mulher, à liberdade – a tudo, enfim, para obedecer à Justiça.
As vítimas de Abdelmassih manifestaram, nestes dias, compreensivelmente, ódio também de Gilmar Mendes.
O que deve confortá-las é que ele não sairá de todo impune neste caso: sua reputação estará para sempre manchada por uma das decisões mais absurdas da história da Justiça brasileira.

21 de agosto de 2014

(encaminhado por Laerte Braga)


A MORTE E O ESPETÁCULO DO OPORTUNISMO.

Camille Helena Claudel

Um trágico acontecimento marcou mais uma vez o mês do agosto, um dito, adágio popular frisa agosto, o mês do desgosto...  Na última semana a morte prematura e inesperada nos privou de 7 vidas, 7 profissionais competentes em suas funções;  as vítimas estavam envolvidas na campanha à presidência do PSB:  Pedro Almeida Valadares Neto, o assessor de imprensa, Carlos Augusto Ramos Leal Filho (Percol), Alexandre Severo Gomes e Silva (fotógrafo), Marcelo de Oliveira Lyra (staff da campanha), os pilotos Marcos Martins e Geraldo da Cunha e a vítima mais conhecida; o ex-governador de Pernambuco candidato à presidência pelo PSB, Eduardo Campos.

Eduardo era um homem carismático, neto de Miguel Arraes, ex-governador caçado e perseguido pela ditadura, que apoiou as Ligas Camponesas propostas por Francisco Julião e se exilou na Argélia parte de sua vida. Por conta disso, Arraes ficou anos sem ver o neto a quem ensinou muito quando voltou, tornando-o um jovem político querido pelo ex-presidente Lula que o conheceu desde de pequeno, já que era amigo do seu avô. Lula acompanhou e ajudou na escalada política do jovem candidato a governador posteriormente. Na verdade, o apoio do PT nos seus dois mandatos como governador lhe valeu fama e bons dividendos para o estado.  Como um prematuro candidato rompeu com aliados fieis de longa data e negou o que havia recebido pelo PT: apoio e ajuda financeira para desenvolver enormemente Pernambuco, que chegou a ser o estado nordestino que mais se desenvolveu nos últimos anos. Tornou-se o governador mais popular cerca de 80% de aprovação. Na sua corrida pelo poder o candidato tentou agregar forças muito divergentes e muito conservadoras e alguns sem projeto pelo caminho. Morreu deixando essas forças tentando dialogar. Infelizmente, muitos acontecimentos “lamentáveis “se sucederam a morte de Eduardo, espetáculos envolvendo seu funeral e uma farta campanha nas imagens que se seguiu. A escola política oportunista e imediatista brilha intensamente.
   
A chocante morte de Campos no mesmo dia em que há nove anos se foi Miguel Arraes, nos deixa pensar sobre tudo, a efemeridade da vida e incertezas não só na política.  Mas foi politicamente que o quadro mudou e tomou formas muito estranhas, com um manancial de dúvidas para os seus oponentes. Eduardo e Marina não emplacaram a promessa que pareciam ser e apesar da novidade, as aparições dos dois sempre esteve em descompasso, seja com o “organismo” que Marina criou e penetrou no partido PSB. A candidata da abortada Rede não parece confortável com as alianças que o PSB fez em Minas e principalmente em São Paulo, onde Marina não apoia o PSDB por serias divergências pessoais.  Não tem no PSB amplo apoio, de lideranças históricas como Luiza Erundina.
Além de tudo isso com a morte de Campos e a escolha de Marina Silva para seu lugar ficaram mais evidentes as enormes divergências de algo que se diz uma terceira via, o novo na política, mas apoiando fortemente em Santa Catarina o candidato ao senado Bornhausen, um vice muito ligado ao agronegócio escolhido, falaremos mais adiante sobre o apoio que existia ao PSDB paulista, no título de novo não se adequa em nada se for feita uma análise mais amiúde.
Sobre o acidente muitas dúvidas se instalaram sobre a manutenção do avião, modelo da Cessna, fabricante do jato Citation 560 XL que foi emprestado por empresários. Agora se discutem falhas no modelo envolvendo o trem de pouso , o cansaço do piloto com uma rotina extenuante. Aqui   http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2014/08/imagens-ineditas-mostram-pela-1-vez-queda-do-aviao-que-matou-campos.html

Eduardo morreu a caminho de um encontro com bancos internacionais junto com Marina, essa decide ir do Rio a São Paulo diretamente, apesar de convidada por Eduardo Campos, iria para um evento na cidade de Santos chamado Santos Export. Marina havia aceitado mas, surpreendentemente no último minuto muda de ideia e decide ficar pra um debate segundo sua assessoria, certamente para organizar o evento com banqueiros internacionais que tem enorme simpatia por ela.
 
Marina Silva vale lembrar tem uma relação tumultuada com partidos dos quais fez parte como PT e PV e tentou fundar a Rede Sustentabilidade, partido não partido, que continua sendo um mistério até na sua criação, pois não teve as assinaturas necessárias para registrá-lo embora se apoiasse nos vinte milhões de votos que teve Marina nas eleições anteriores para presidente mas servindo apenas embolar o jogo no meio  da eleição em 2010, sua saída dos partidos também não foi muito pacifica. Ela saiu do PT envolvida em denúncias com seu marido, que até ontem ocupava um cargo do partido que Marina ataca, como entre outras coisas “CHAVISTA”. A Os problemas dão conta de um cargo pedido pelo PT.  Mas as ligações com ONGs que repassavam madeira pra Cikis madeireira é o que dá a dimensão dos problemas de Marina. Junto com seus financiadores Natura e Itaú envolvidos em denúncias de debito tributário e no caso da natura exploração de trabalho indígena.


Outro fato a citar foi que depois da morte de Eduardo, em um funeral campanha que criou atrito entre um aliado de ocasião que na verdade foi sempre um  opositor ferrenho a Eduardo Campos : Jarbas Vasconcelos , a briga seria pela presença do  ex-presidente Lula amigo da família e a presidente Dilma que ocasionou uma efusiva manifestação de carinho por parte de Duda , Eduarda a primeira filha do ex-governador morto e a confissão que votaria na indicada por Lula  o próximo evento foi ao aniversário da viúva e a falácia do discurso usando o candidato falecido A viúva Renata Campos na data seria o aniversário de Renata em uma casa de festas conhecida em Recife a que o governador desejava comparecer antes da tragédia.  Numa primeira fala já se mostra disposta a transformar seu luto em comício no dia do seu aniversário, em suas palavras:
“Como participei a vida toda de campanhas, não será diferente nesta. #Pelo contrário, tenho a sensação de que tenho que participar por dois a tragédia. Tem sido muito cotada como vice da outra e consorte do ex governador e mostra que é hábil em articulações também. O PSB a cogita para coordenar a campanha estadual... o que se fara por enquanto é dúvida “A gente (ela e Eduardo) queríamos consolidar essa vitória. Acho que só depende de nós. Estou aqui com Duda, João, Pedro, José e Miguel para dizer: Paulo (Câmara), Raul (Henry) e Fernando (Bezerra), contem com a gente”, prontificou-se. O nome de Marina Silva, que deve assumir a cabeça de chapa do PSB para a corrida presidencial, não foi citado nenhuma vez, bem como nada se falou sobre a disputa nacional. No início do evento, porém, o prefeito do Recife Geraldo Júlio (PSB), anunciou que a reunião seria restrita ao cenário local.

Nos discursos, enfaticamente se fala sempre em “se fazer a vontade de Eduardo”. Renata também puxou o coro para manutenção da memória do marido durante a campanha. “Pode parecer que o nosso maior guerreiro não está na luta, mas os seus sonhos estarão sempre vivos em nós”. O encontro desta segunda estava na agenda do presidenciável Eduardo Campos há uns dez dias. Ele viria a Pernambuco para o aniversário da esposa, que seria comemorado durante a noite. “Ele pediu para marcar essa reunião. Depois da tragédia ele Sileno me perguntou ‘e agora’ e eu disse, mantem tudo como estava”, comentou Renata ainda durante o discurso. Os presentes cantaram parabéns para ela por duas vezes. Na parte de trás, um bolo de três andares estava preparado, mas não chegou a ser cortado.

Durante o evento, a militância do PSB, que lotou a casa de recepções Blue Angel, no Derby, pediu que a ex-primeira-dama de Pernambuco assumisse o posto de vice, mas ela não tocou no assunto. Renata completou nesta segunda (18) 47 anos:

Veja na íntegra o discurso de Renata Campos durante o encontro com a militância do PSBAcho que devem estar pensando. Renata aqui hoje. Eu estava, como estive em tantos momentos ao lado de Dudu, quando ele pediu para marcar essa reunião. Depois da tragédia ele Sileno me perguntou ‘e agora’ e eu disse, mantem tudo como estava. Como participei a vida toda de campanhas, não será diferente desta. Pelo contrário, tenho a sensação de que tenho que participar por dois. E aí vim porque sei da vontade dele e da importância que tem esse trio. A gente comentava sempre, depois de todos esses anos, de todo o trabalho sabendo que muita coisa ainda precisa ser feita, outras consolidadas. A gente pensava precisamos consolidar essa vitória. Acho que só depende de nós. Estou aqui com Duda, João, Pedro, José e Miguel para dizer Paulo, Raul e Fernando, contem com a gente. Pode parecer que o nosso maior guerreiro não está na luta, mas os seus sonhos estarão sempre vivos em nós. Fica tranquilo Dudu, teremos a sua coragem para mudar o brasil. Não desistiremos do brasil, é aqui que cuidaremos dos nossos filhos.  
 Existe uma mistificação da figura de Renata e de Marina, ambas se autopromovem e pela sua militância como figuras sinaladas pela sorte pelo destino uma farsa já vista em diversos momentos em uns pais de crédulos como o nosso. Para uma campanha madura só resta discutir conceitos , então diante de certas afirmações  :        aqui

A PALAVRA DE ORDEM É DESMISTIFICAR TANTO A SUPOSTA JACQUELINE KENNEDY QUANTO A D. SEBASTIÃO DE SAIAS, UMA ESTÁ MAIS PRA LADY MACBETH E A OUTRA PRA TESTA DE FERRO DO CAPITAL INTERNACIONAL E FORÇAS CONSERVADORAS. AMBAS RESPONDEM A ANSEIOS E PROJETOS PESSOAIS DE PROTAGONISMO

 Marina por onde passou deixou isso bem claroque  é ungida e  inclusive não  beneficiou  com seu protagonismo em nada os partidos onde se filiou. A surpresa é Renata Campos, atuante na política ... talvez mas também tenha influenciado na escolha azarada de Eduardo Campos ser candidato em vez de esperar uma indicação que certamente viria de seu aliado e amigo de longa data com o qual o governador rompeu politicamente para seguir carreira solo. Renata se revela muito interessada em política, influenciando em questões simples no palácio como nomear para guarda cerimonial, até a provável influência decisão de se candidatar antes do tempo proposto por seu maior aliado tomada por Eduardo .

Depois de tudo está claro que Renata não saíra como vice na chapa encabeçada pelas 2 apesar de se dizerem amigas. Renata porem não desistirá de articular as coisas.  Os nomes mais cotados pra a vice ficou mesmo com Beto Albuquerque perfil bem pouco “alternativo “como pensa a REDE, e chegou a se cogitar o pernambucano Danilo Campos dois quadros do PSB  mais  ligados a essência do partido digamos .

 Agora os grupos que apoiavam Eduardo Campos sem SP se fecham de vez e acabou o dito Edualdo, que combinava Eduardo com seu carisma que aliado Alckmin assustava o candidato do PSDB.
Com a escolha de Marina migram todos para a campanha de Aécio novamente. quanto ao vice escolhido o gaúcho Albuquerque líder do PSB na câmara muito próximo ao agronegócio   é bem duro com Marina no tocante a sua posição indefinida e seu projeto da Rede , fala claramente que ela DEVE  se alinhar dentro do PSB e abandonar  a Rede  cumprindo através de documento com suas  obrigações e fidelidade ao partido que escolheu A REDE que se cuide ,  as parcas ideias  que por ventura alguns defendiam  sucumbiu de vez ao pragmatismo do agronegócio e ao desejo incontido e avassalador que Marina tem de ser  presidente qualquer custo , a postura do PSB  também   já  demonstra  a confiança  na  pessoa de Marina silva  pela escolha do  vice  em que nível está.  A escolha Albuquerque ... fica claro que o PSB quer manter Marina nas linhas ... ou seja nas linhas do contrato que assinará ...  

 P.S.: As imposturas de Marina são importantes pois desmontam suas mistificações das "teias de Deus" "providências divinas "e similares. Ela tenta se vender como um dom Sebastião de saias... "destino manifesto " do país in persona ... a tosca e medíocre verdade é o q tem por trás de Marina: são as forças conservadoras de sempre e o Mercado alijados do poder, em sua plenitude, atualmente, na América do Sul. Com uma fala q descarta a realidade da esquerda e a direita oferece o suposto novo da " terceira via...".... nas mesmas coligações de sempre... festejando um funeral "copiosamente". Esses, os de antes, têm em Marina uma esperança de volta: não vão querer desistir de explorar o Brasil.

1 de março de 2014

A unidade cívico-militar na Venezuela

A unidade cívico-militar na Venezuela

Por Beto Almeida

"A revolução bolivariana é pacífica, pero armada" - Hugo Chávez
Há 25 anos, num 27 de fevereiro de 1989, o então presidente da Venezuela, Carlos Andrés Perez, lançou um pacote neoliberal explosivo aumentando drasticamente o preço da gasolina e dos alimentos. O povo de Caracas se rebela, sai às ruas, saqueia supermercados, lojas de roupas, açougues. Perez d ordens para o exército reprimir com vigor. Centenas de cidadãos são mortos. O número exato ainda está por ser calculado, pois muitos foram enterrados em valas comuns ou atirados nos lixões da cidade.

Quando tive a oportunidade entrevistar o presidente Chávez, no Palácio de Miraflores, ele contou que está em serviço e soube quando a ordem de reprimir foi dada e as tropas lançaram-se pelos bairros pobres, esmagando sem dó nem piedade a rebelião, conhecida com o nome de Caracazzo. Chávez dizia que o Caracazzo foi o estopim, a alavanca , o encorajamento fundamental para que o movimento militar bolivariano, cuja construção liderava dentro dos quartéis de toda a nação, se decidira a agir. Aquela repressão havia provocado nas fileiras progressistas e nacionalistas militares muito mais do que uma indignação.

47 segundos versus 10 anos

Quase três anos depois, em 4 de fevereiro de 1992, Chávez comandava uma insurreição militar que pretendia colocar um fim no governo neoliberal e corrupto de Andrés Peres e , com o apoio popular, convocar uma Assembleia Nacional Constituinte. Do ponto de vista militar, a insurreição não foi vitoriosa. Dialeticamente, foi vitoriosa do ponto de vista político. Hugo Chávez comandou a rendição para poupar vidas, entregou -se, e foi preso. Na prisão, transforma-se no homem mais popular da Venezuela. O povo venezuelano identificou naqueles poucos segundos em que Chávez usou a cadeia de rádio e TV - exigência para a rendição - que aquele homem, meio negro e meio índio, era um dos seus, que falava sua língua, representava seus anseios largamente reprimidos. Tanto assim que longas filas, diariamente, se formaram para visitar a Chávez na prisão. Gente proletária, sofrida, humilde, que tinha tido a objetividade histórica de compreender que ali estava preso o seu líder, enquanto os intelectuais pedantes discutiam, interminavelmente, se Chávez era um populista, um golpista, um autoritário ou um militaresco fascista.

Certa vez, em debate com um dirigente do Partido Comunista Espanhol, em Madrid, escutei-o dizer que só depois do golpe de 2002, ele tivera certeza de que Chávez era de esquerda. Contra argumentando, assinalei que enquanto ele tinha levado 10 anos para entender a função história de Chávez, o povo venezuelano levara apenas 47 segundos para compreendê-lo , tempo exato daquela declaração do líder da insurreição bolivariana por cadeia para render-se, “por ahora”.

O Caracazzo pariu a Insurreição de 4 de Fevereiro de 1992. Mas, é chocante observar, ainda hoje, a infinita hipocrisia dos meios de comunicação internacionais e dos governos que os controlam ou manipulam, diante da crise atual da Venezuela. Quando o governo venezuelano de 1989 mandou reprimir e matou a rodo populares nas ruas de Caracas - Chávez insistia sempre que eram milhares os mortos - esta mídia que faz o maior estardalhaço sobre uma inexistente guerra civil na Venezuela hoje, na época, não fez nenhum escândalo diante da matança aos olhos de todos, nas ruas caraquenhas. Tampouco os governos , como o dos Estados Unidos, que lançam cínicos comunicados de “preocupação com os direitos humanos na Venezuela”, na época , foram os patrocinadores do pacote neoliberal de Carlos Andrés Perez, fizeram o mais criminoso silêncio. O silêncio da cumplicidade com aquela matança.

Maldito seja...
O Caracazzo foi uma rebelião popular que levou a uma lição fundamental para os militares revolucionários que se organizavam em torno de Chávez, entre eles o Embaixador da Venezuela no Brasil, Almirante Diego Molero. E a lição era a aplicação de uma das frases de Bolívar mais repetidas pelo próprio Chávez, linha de princípio do movimento que, depois de anos de preparação política doutrinária, preparava-se para agir: “Maldito seja o soldado que aponta seu fuzil contra seu próprio povo!”

Porém, a linha doutrinária, programática, ia muito mais além. Recuperava e atualizava o Simon Bolívar integracionista, reformador social, criando outra concepção para o papel dos militares: a integração latino-americana, a unidade cívico-militar e a sustentação pela via democrática, porém de armas nas mãos, do processo de mudanças em busca de justiça social. Afinal, a Venezuela, um país tão rico, possuía 85 por cento de pobres e miseráveis, uma maioria de analfabetos, favelas desumanas por todos os lados, enquanto sua burguesia era conhecida por ser uma das maiores consumidoras de caviar e champanhe do mundo, perdendo apenas para burguesia francesa.

Hoje, 25 anos depois do Caracazzo, já podemos contabilizar os frutos na Revolução Bolivariana, mesmo assediada, atacada, sabotada, golpeada por mais de 15 anos. O país de Bolívar não tem mais analfabetos, diz a Unesco. Diz a FAO que houve redução drástica da desnutrição e da fome no país. Os trabalhadores já possuem uma lei trabalhista moderna e foram universalizados os direitos previdenciários. Lá se paga um dos maiores salários mínimos da América Latina, comparativamente falando. E, pela primeira vez na história do país, o petróleo, que enriqueceu por décadas uma camarilha insensível e corrupta, agora tem a sua receita aplicada na construção de moradias, de universidades bolivarianas, na sustentação do ensino público gratuito, na instalação de milhares de postos de saúde, com presença de mais 23 mil médicos cubanos, o que reduziu tremendamente a mortalidade infantil.

Claro que a Venezuela tem muitos outros desafios a superar, a começar pela economia rentista do petróleo, como disse hoje, em Brasília, o Chanceler Bolivariano, Elias Jaua, bem como enfrentar a criminalidade, que, aliás, não é problema exclusivo venezuelano. Ele informou sobre os focos de violência orquestrados por pequenos grupos de agentes provocadores , com apoio do exterior. Enquanto a Venezuela possui 325 municípios, as ações violentas registraram-se em apenas 18 localidades de todo o país. Reveladora é a informação de que os atos violentos ocorrem centralmente nos bairros mais ricos. Mais reveladora ainda, da condição de classe desses jovens de famílias ricas que agem violentamente , é que optaram por queimar um caminhão do sistema Mercal, um sistema estatal de distribuição de alimentos a baixo custo. Queimaram, mas não saquearam os alimentos. Ou seja, o motivo não era a fome, mas apenas queimar, destruir.

Militares progressistas
As manifestações pacíficas são permitidas e a oposição, caso queira, pode recorrer ao instrumento da revogabilidade de mandatos, contido na Constituição Bolivariana, uma das mais avançadas do mundo, para tentar retirar Maduro pela vida legal. Mas, se o objetivo é exigir, sem base nem fundamento, a renúncia do Presidente Nicolás Maduro, e por meio de incêndios, instalação de linhas de nylon cortantes nas ruas dos bairros mais chiques, o que já provocou a degola de motociclistas, evidentemente, estes grupos vão se defrontar com aquilo que talvez seja uma das mais importantes obras de Chávez: a unidade cívico-militar.

Os militares bolivarianos possuem outra consciência, enriquecida e temperada na experiência da Revolução dos Cravos, de Portugal, no governo antiimperailista de Velasco Alvarado, no Peru, no exemplo do governo socialista do capitão Thomas Sankara, o Che Guevara africano, de Burkina Fasso, experiências em que os militares atuaram sempre ao lado do povo, sustentando um processo revolucionário, transformador, como ferramenta estratégica.

Este é o eixo que dá suporte e mantém de pé a Revolução Bolivariana até hoje, enfrentando todas as ações de desestabilização emanadas pela Casa Branca, ecoadas pela mídia internacional. Assim, é muito explicativo observar que a mídia brasileira, especialmente aquela que apoiou o golpe militar de 64 no Brasil, e, também, o golpe derrotado contra Chávez, em 2002, esteja agora tentando fazer crer que exista uma convulsão social na Venezuela. E que ontem, data dos 25 anos do Caracazzo que pariu a Revolução Bolivariana, nada tenha dito daquela rebelião, quando, apoiou não apenas o pacote de amargas medidas neoliberais, mas, também, a sangrenta matança que hoje está sendo apurada por uma espécie de comissão da verdade de lá.

* Beto Almeida é membro do diretório da Telesur
Fonte: Blog do Miro

5 de janeiro de 2014

A campanha da moda

Janio de Freitas 

A campanha da moda

Todo o falatório em torno de PIB de 1% ou de 2% nada significa diante da queda do desemprego a apenas 4,6%
Quem não discute gosto anda na moda, que é um modo de não ter gosto (próprio, ao menos). Até por solidariedade aos raros que não se entregam à moda eleitoreira de dizer que 2013 foi um horror brasileiro e 2014 será ainda pior, proponho uns poucos dados para variar.
Com franqueza, mais do que a solidariedade, que tem motivo recente, é uma velha convicção o que vê importância em tais dados. Um exemplo ligeiro: todo o falatório em torno de PIB de 1% ou de 2% nada significa diante da queda do desemprego a apenas 4,6%. Menor que o da admirada Alemanha. Em referência ao mesmo novembro (últimos dados disponíveis a respeito), vimos as manchetes consagradoras "EUA têm o menor desemprego em 5 anos: cai de 7,3% para 7%". O índice brasileiro, o menor já registrado aqui, excelência no mundo, não mereceu manchetes, ficou só em uns títulos e textos mixurucas.
Mas o índice não pode ser positivo: "O índice caiu porque mais pessoas deixaram de procurar emprego". Se mais desempregados conseguiam emprego, como provava o índice antes rondando entre 5,6% e 5,2%, restariam, forçosamente, menos ou mais desempregados procurando emprego? PIB horrível, falta de ajuste fiscal, baixa taxa de investimentos, poucas privatizações, coitado do país. E, no entanto, além do emprego, aumento da média salarial, a ponto de criar este retrato do empresariado de São Paulo: a média salarial no Rio ultrapassou a dos paulistas.
A propósito: com as alterações do Bolsa Família pelo Brasil sem Miséria, retiraram-se 22 milhões de pessoas da faixa dita de pobreza extrema. Com o Minha Casa, Minha Vida, já passam de 1 milhão as moradias entregues, e mais umas 400 mil avançam para a conclusão neste ano. A cinco pessoas por família, são 7 milhões de beneficiados com um teto decente, água e saneamento.
Sobre dados assim e 2014, escreve o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale: "Infelizmente, veremos mais promessas de ampliação do Bolsa Família e do salário mínimo, que, no frigir dos ovos, é o que tende a reeleger a presidente". Da qual, aliás, acha que em 2014 "deverá se apequenar ainda mais". Da mesma linhagem de economistas --a que domina nos meios de comunicação--, Alexandre Schwartsman dá à política que produziu aqueles resultados o qualificativo de "aposta fracassada", porque só deu em "piora fiscal, descaso com a inflação e intervenção indiscriminada, predominando a ideologia onde deveria governar o pragmatismo".
"Infelizmente" e "aposta fracassada" para quem? Para os 22 milhões que saíram da pobreza extrema, os 7 milhões que receberam ou receberão um teto em futuro próximo, os milhões que obtiveram emprego, os milhões ainda mais numerosos que tiveram melhoria salarial?
E, claro, ideologia existe só no que se volta para os problemas e possíveis soluções sociais. Quem se põe de costas para o que não interesse à elite financeira e ao poder econômico, não o faz por ideologia, não. Por esporte, talvez.
Foi a esse esporte, quando praticado orquestradamente nos meios de comunicação, que Dilma Rousseff se referiu como uma "guerra psicológica", e gerou equívocos críticos. Não se trata de "expressão antidemocrática", nem própria dos tempos da ditadura. É a denominação, técnica ou científica, como queiram, de métodos de hostilidade não militares, diferentes das campanhas por não serem declarados em sua motivação e seus fins, e buscando enfraquecer o adversário por variados tipos de desgaste.
Não é o caso da pregação tão óbvia no seu propósito de prejudicar eleitoralmente Dilma Rousseff. E prática tão evidente que, já no início de artigo na Folha, o empresário Pedro Luiz Passos definiu-a como "o negativismo que permeia as análises sobre a economia brasileira, em contraste com a percepção de bem-estar especialmente da base da pirâmide de renda". Ou seja, há um negativismo, intenção de concentrar-se no negativo, real ou manipulado, e a desconsideração do que deu à "base da pirâmide" social alguma percepção de bem-estar.
O elemento essencial na existência de uma nação é o povo. Não é o território, não é o Estado, ambos inexistentes em várias formas de nação ao longo da história e ainda no presente (os curdos, diversos povos nômades, povos indígenas). O PIB e os ajustes feitos ou reivindicados nunca fizeram nada pelos brasileiros que são chamados de povo. A cliente do PIB, dos gastos governamentais baixos e dos juros bem altos são os que compõem a mínima minoria dos que só precisam, para manter o país, do povo.

12 de dezembro de 2013

Insólitas prisões


Por Maria Sylvia Carvalho Franco *

Texto publicado na seção de Tendências / Debates, da Folha, em 08/12/2013

“Quatro da madrugada: instante entre a noite e o amanhecer, quando as decisões lá no topo já se firmaram, quando o que deverá acontecer já aconteceu. Alguém bate à porta, urgente. Quem é? Não se sabe.”

Com essa matriz política, Jan Kott abre sua reflexão sobre o golpe de Estado urdido em “Ricardo 3º”, peça em que a violência dilacera as tramas do cotidiano: súbito, a força física e a intimidação moral irrompem nos afazeres, no lazer, no sono. “Quem dentre nós, pelo menos uma vez na vida, não foi assim despertado?” O ensaio de Kott sobre “Ricardo 3º” faz dessa figura uma grande metáfora da “húbris” política, desvelando a essência do ato despótico e sua perene ameaça.
Assistimos, aqui e agora, à reiteração dessas práticas. As detenções dos réus da ação penal 470 ocorreram após um processo transparente, mas o foram com bizarria do prisma ético. Sua imposição intempestiva, em longo feriado, valeu-se do emblemático Dia da República e da suspensão, no calendário, de três dias úteis. Pergunta-se o porque da pressa: Joaquim Barbosa valeu-se do recesso para decidir sozinho, ignorando seus pares?
A efetivação repentina dessas prisões, após um lento processo, insere o monopólio estatal da força física no cotidiano das pessoas. Noite que enseja emboscadas, ou feriado que paralisa a vida pública e privada, ambas as situações cancelam as garantias constitucionais.
Não visamos, aqui, a procedência das prisões, mas seu arbitrário “modus faciendi”. O uso do feriado não é inédito nas práticas políticas autoritárias: entre nós, basta citar os ardilosos planos econômicos, como o de Collor. Há mesmo uma história dessas tocaias: nas imagens acentuadas por Kott, o golpe de Ricardo 3º condensa-se na semana de Todos os Santos e Finados, tropos polissêmicos onde o dia dos mortos e o morticínio do tirano conjugam-se: os assassinatos, processos e decapitações não por acaso efetivam-se quando a vida social está suspensa, em luto. Inglaterra elisabetana ou República brasileira, a conivência com tais condutas resulta na mesma inversão de valores e práticas já presentes na democracia grega e sintetizadas por Platão como raízes do poder tirânico.
Por fim, completando os atentados à cidadania, juntas médicas ratificaram o desrespeito a um preso doente. No laudo sobre a saúde de José Genoino, afirma-se que ele pode suportar o cárcere: bastam remédios, dieta, exercícios regulares e (pasme-se!) evitar “fatores psicológicos estressantes”. Os doutores ironizam ou ignoram o que significa uma prisão, enunciando um oximoro: cadeia sem trauma.
As juntas que se pronunciaram sobre Genoino –e talvez as que examinam Jefferson– esqueceram-se de que avaliam prisioneiros cujas vidas não se assemelham à dos pacientes abstratos cujos diagnósticos pautam-se pelos parâmetros rotinizados oferecidos pela tecnologia médica. Lendo seus pareceres, tem-se o sentimento de que a submissão aos poderosos avalizou tais contrassensos. Tanto mais grave torna-se essa conduta quando distinguimos a atual crise nos meios médicos brasileiros e lembramos o quanto a bioética vem sendo debatida mundialmente.
Após a renúncia de Genoino, as circunstâncias de sua captura podem parecer episódicas, mas, nelas, o imprudente uso do poder evidencia o vezo, perene no Estado brasileiro, de afrontar o cidadão.
A crítica ao “modus operandi” das prisões não implicam tolerância ao crime; pelo contrário, ela pressupõe que sentenças legais não autorizam sua execução ilegítima.
Vale recordar que as denúncias contra a democracia martelam a tese de que nela é ínsita a impunidade. Já dizia Platão ao invectivar o regime ateniense das liberdades que, na polis “licenciosa”, condenados à morte ou ao exílio não “deixam a praça, circulam em público, como se fossem indiferentes a todos, invisíveis, como fantasmas de heróis”. Pelo visto, alguns magistrados são platônicos e gostariam de banir a democracia para sempre.
* MARIA SYLVIA CARVALHO FRANCO é professora titular aposentada de filosofia da USP e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

10 de dezembro de 2013

A aposta na democracia contra o caos


São Paulo elegeu neste domingo 1.125 representantes para governar a cidade com Haddad, o maior conselho popular da história brasileira.

por: Saul Leblon 


A cidade de São Paulo elegeu neste domingo o maior conselho popular da história brasileira. Com pouco espaço na imprensa e uma divulgação despolitizada de parte da própria prefeitura,  ele representa, paradoxalmente, talvez a resposta mais arrojada ao anseio de participação ecoado nas ruas de junho.

São Paulo reúne 32 sub-prefeituras.

A partir de 25 de janeiro - quando os conselheiros eleitos tomam posse - elas terão um organismo local de fiscalização, consulta e proposição reclamado há décadas como antídoto ao caos logístico e social na maior metrópole brasileira e uma das maiores do mudo.

Com um representante para cada 10 mil habitantes,  a cidade disporá  então de 1.125 vozes a falar por ela com conhecimento de causa e legitimidade.

É a aposta na democracia contra o caos. Se vingar, fará história e não apenas em São Paulo.

Embora a área de ação de cada conselheiro esteja circunscrita ao perímetro do bairro, nada impede que a Prefeitura institua fóruns regionais ou mesmo municipais, compostos por representações proporcionais destes conselhos, para debater e planejar grandes ações de interesse de toda a cidadania.

Na verdade, dada a natureza sistêmica dos grandes problemas urbanos de uma metrópole como São Paulo, essa progressão democrática é quase inevitável.

O recente reajuste do IPTU, que inflamou o espírito separatista de uma parcela da cidade  cujo horizonte comunitário começa e termina na garagem do prédio, por certo teria outro respaldo político fosse ele previamente discutido e sancionado por um fórum de representações proporcionais  ao mosaico paulistano.

O debate sobre o novo Plano Diretor de São Paulo, fomentado pela gestão Haddad, certamente teria uma densidade e  um discernimento diferenciados, se  estruturado  a partir dos conselhos municipais.

O grande risco é subestimar essa oportunidade democrática abastardando-a como um  simulacro do que deveria ser.

O que deveria ser passa pelas grandes questões que desafiam a democracia e o planejamento da sociedade em nosso tempo.

Marx disse que o ‘o capital nasce escorrendo sangue e lama por todos os poros  da cabeça aos pés’.

A imagem se aplica literalmente  à descrição do processo contínuo de valorização e exclusão  em uma cidade com o tamanho e o calibre dos interesses entranhados nos 1.500 km2  de São Paulo.

A ideia de que esse açougue possa ser administrado pelo livre curso dos interesses graúdos  que o dominam é o que de mais próximo se pode conceber  em termos de barbárie urbana.

É disso, do direito ao livre curso dos mercados sobre a cidade, que falam as entrelinhas das críticas despejada contra a gestão Haddad por parte da emissão conservadora.

Critica-se o prefeito pelos seus acertos.

A intrínseca barbárie apregoada na fuzilaria contra o IPTU progressivo, e contra o Plano Diretor  que coíbe o vale-tudo imobiliário,  deriva da mesma cepa que na esfera nacional ecoa o bombardeio  contra  o  ‘intervencionismo da Dilma’.

Os elevados custos humanos e materiais da internalização da crise mundial no sistema econômica brasileiro nunca são projetados  quando se trata de fuzilar  ‘a gastança’ das medidas federais  tomadas para evitá-los.

Providências equivalentes, em termos de vida urbana, deveriam ter sido adotadas em metrópoles fortemente conectadas aos humores globais, como é o caso de São Paulo.

O Minha Casa, Minha Vida, no entanto, lançado como medida  contracíclica no plano federal, teve na São Paulo dirigida pelo comodato Kassab/serrista, um dos seus piores desempenhos. O mesmo se pode dizer  no que diz respeito  à adesão  ao Brasil Sem Miséria.

É forçoso arguir se até mesmo prefeitos progressistas iriam além do fatalismo ortodoxo, desprovidos de um contrapeso democrático  que os conectasse diretamente ao metabolismo nervoso da cidade.

São Paulo não precisa de uma crise mundial para revelar as camadas majoritárias de sua  gente expostas a um cotidiano de abandono  e privação.

Num  espaço por excelência de exercício da cidadania,  a igualdade perante a lei aqui significa muito pouco à imensa maioria dos paulistanos desprovidos do poder econômico  que lhes dê acesso aos gabinetes onde a cidade é decidida.

A cidadania que se exerce assim, esporadicamente,  no comparecimento às urnas descarnado de outras instâncias de participação, revela-se um poder meramente formal  diante do bloco granítico no qual se fundem  a política e o dinheiro.

O gradiente dos direitos civis na metrópole é diretamente proporcional à quilometragem que separa bairros elegantes dos arruamentos suburbanos.

Ninguém escapa do inferno pelas mãos do  diabo.

O que se disputa no Brasil hoje – enevoado pela vaporosa endogamia  de togas e mídia--  é se o passo seguinte da história aqui será determinado pelos  impulsos cegos dos mercados ou pelo planejamento democrático dos cidadãos.

A  importância do conselho  eleito neste domingo em São Paulo deve ser avaliada dentro dessa disjuntiva

Com algum otimismo, até mais além dela.

A história ensina que a passagem de uma época para outra requer não apenas condições objetivas, mas rupturas de engajamento social que  reúnam a  energia da força e do consentimento para desbravar  novos caminhos.

O novo caminho no caso de São Paulo significa tornar  a democracia  na gestão da cidade  indissociável dos que dela sempre foram excluídos.

A gestão Haddad  tem um pedaço disso nas mãos a partir de agora. Cabe não desperdiçar  a colheita embutida na semente.

A ver.


5 de dezembro de 2013

Quando a Espanha sabia ser pobre e a pobreza os fazia solidários.

 

Opinião: Quando a Espanha sabia ser pobre com dignidade

 ALMUDENA GRANDES
ESPECIAL PARA O "NEW YORK TIMES"
Nas manhãs geladas de inverno, as empregadas domésticas não andavam pelas ruas de Madri. Me recordo delas sempre correndo, com os braços cruzados sobre o peito para tentar conservar o calor de um casaco de lã. Me recordo também de alguns homens soturnos que caminhavam devagar, com as lapelas do paletó levantadas e uma mala de papelão na mão. Eu os olhava, me perguntava se não sentiam frio, me surpreendia com sua compostura e guardava minha curiosidade para mim mesma.
Nos anos 60 do século 20, a curiosidade era um vício perigoso para as crianças espanholas.
Crescemos entre fotografias -às vezes emolduradas sobre uma cômoda, às vezes escondidas numa gaveta- de pessoas jovens e sorridentes que não conhecíamos. Quem é? Eram tios ou noivos, primas ou irmãos, avôs ou amigas da família, e estavam mortos. Quando morreu? Faz muito tempo. Como foi, por que, o que aconteceu? Foi na guerra, ou depois da guerra, mas é uma história tão tenebrosa, é muito triste, é melhor não falar de assuntos desagradáveis.
Ali, naquele conflito misterioso do qual ninguém se atrevia a falar, embora ainda ardesse nos olhos dos adultos como uma ferida aberta, infectada pelo medo ou pela culpa, terminavam todas as conversas. Assim aprendemos a não perguntar muito antes de ler os terríveis e certeiros versos de Jaime Gil de Biedma: de todas as histórias da História, sem dúvida a mais triste é a da Espanha, porque termina mal.
Os espanhóis de hoje não gostam de se lembrar disso. Vivíamos em um país pobre, mas isso não era novidade.
Sempre tínhamos sido pobres, inclusive na época em que os reis da Espanha eram senhores do mundo, quando o ouro da América atravessava a península sem deixar em seu rastro mais que a poeira levantada pelas carroças que o levavam a Flandres, para saldar as dívidas da Coroa.
Na Madri de minha infância, onde um sobretudo era um luxo que não estava ao alcance das domésticas, nem dos trabalhadores diaristas que esperavam a hora de embarcar em um trem, a caminho da colheita de uvas francesas ou de uma fábrica alemã, a pobreza continuava sendo um destino familiar, a única herança que muitos pais podiam deixar para seus filhos.
Entretanto, nesse legado havia algo mais, uma riqueza que perdemos.
Olho para trás e me recordo de tudo, do frio, dos mendigos, dos silêncios, do nervosismo dos adultos quando cruzavam com um policial na calçada, de um costume antigo. Se um pedaço de pão caía ao chão, nos obrigavam a recolhê-lo e lhe dar um beijo antes de devolvê-lo à cesta de pão, porque houve muita fome em nossas casas quando morreram aquelas pessoas queridas de quem ninguém queria nos falar. Porém, por mais que eu me esforce, não me recordo da tristeza.
Da raiva, sim, dos maxilares cerrados, como que talhados em pedra, de alguns homens e mulheres que em uma só vida tinham acumulado tragédias suficientes para afundar-se seis vezes, mas que, não obstante, continuavam em pé. Porque na Espanha, até uns 30 anos atrás, os filhos herdavam a pobreza, mas também a dignidade de seus pais, uma maneira de ser pobre sem deixar de ser digno, sem deixar de lutar por seu futuro, sem nunca se dar por vencido.
Nem mesmo Franco, nos 36 anos de feroz ditadura que foram os frutos daquela guerra maldita, conseguiu evitar que seus inimigos prosperassem em condições atrozes, que se apaixonassem, que tivessem filhos, que fossem felizes. Na Espanha de minha infância, a felicidade era também uma maneira de resistir.
Depois nos disseram que era preciso continuar a esquecer. Que para construir a democracia era imprescindível olhar para frente, fazer como se nunca tivesse acontecido nada por aqui. E, ao esquecermos o ruim, também esquecemos o bom. Não parecia importante, porque de repente éramos bonitos, éramos modernos, estávamos na moda... Para quê recordar a guerra, a fome, centenas de milhares de mortos, tanta miséria?
Assim, renegando as mulheres sem sobretudo, as malas de papelão e os beijos no pão, perdemos os vínculos com nossa própria tradição, as referências que agora nos poderiam ajudar a superar esta nova pobreza que nos atacou de surpresa, vinda do coração dessa Europa que nos ia tornar ricos e que nos arrebatou um tesouro que não se compra com dinheiro.
Assim, nós, os espanhóis de hoje, mais que arruinados, estamos perdidos, abismados em uma confusão paralisante e inerme, desorientados como um menino mimado de quem tiraram os brinquedos e que não sabe protestar, reclamar o que era seu, denunciar o roubo, deter os ladrões.
Se nossos avôs nos vissem, primeiro morreriam de rir, depois morreriam de pena. Porque para eles isso não seria uma crise, mas um leve contratempo. Mas nós, que durante séculos soubemos ser pobres com dignidade, nunca soubemos ser dóceis.
Nunca, até agora.
A escritora espanhola Almudena Grandes publicou vários livros sobre a Guerra Civil Espanhola. Um deles, "El Corazón Helado", foi traduzido para vários idiomas, incluindo o inglês

2 de dezembro de 2013

Cubanos trazem uma nova forma de fazer Medicina



  Christina Nascimento no http://odia.ig.com.br/noticia/
 
 
Rio - É quase impossível não estranhar quando se ouve de Julio Cesar Nunez Naranjo, 46 anos, o valor que recebe por mês em Cuba. “Cerca de 30 dólares (quase R$ 70). É uma boa remuneração”, diz o médico, em um compreensível ‘portunhol’, após atender uma mãe e um bebê no Centro Municipal de Saúde de Vila do Céu, em Campo Grande. Mas a relação com o dinheiro não é a única diferença na comparação com os médicos brasileiros.

A chegada dele à unidade já provocou mudança no comportamento de outros profissionais. E a explicação está na formação acadêmica: a medicina cubana incentiva laços mais estreitos com os pacientes. “Os médicos que vêm de fora colhem material para preventivo. Alguns não faziam isso. Mandavam sempre a enfermeira. Já ouvi muitos dizendo que agora vão fazer o procedimento”, conta uma funcionária da unidade.

A sensação térmica em Vila do Céu era de 40 graus na quinta-feira, quando Julio recebeu O DIA no consultório. Do bolso, ele tira um lenço para enxugar o suor no rosto. Apesar do ar condicionado, o calor é quase insuportável. Uma realidade que não assusta quem tem no currículo experiências no Haiti, onde o atendimento era feito em postos sem ventilação ou qualquer iluminação.
Julio Cesar Naranjo, 46 anos, deixou para trás dois filhos e tem pela frente o desafio de atender 4 mil pessoas
Foto:  Divulgação
“Achei que iria encontrar um cenário no Rio muito pior do que realmente é. Vi que tem estrutura e a equipe é dedicada. É possível fazer um bom trabalho”, avalia ele, que deixou dois filhos na ilha de Fidel. “Um deles será médico”, diz, orgulhoso. Por aqui, o trabalho na comunidade de 29 mil habitantes será exaustivo. No hospital onde atuava em Cuba, ele tinha sob sua atenção 1,2 mil pessoas. Em Vila do Céu, serão 4 mil. Pacientes como a pequena Mariana Cadena, de 6 meses, estão na lista de atendimento. Enquanto mama, sua mãe, a camelô Raquel Cadena, 38, diz estar esperançosa.
Pacientes aprovam atendimento
Foto:  Divulgação
“Ficamos quase dois meses sem o médico de família. A ajuda vinha da enfermeira, que acompanhava o peso da neném. Estava preocupada com o desenvolvimento dela”, avalia Raquel. A mãe disse não se importar com a consulta auxiliada por uma enfermeira tradutora. “Quero alguém para me atender. Não importa de onde venha”.
Dos R$ 10 mil que o governo brasileiro vai passar para a Organização Pan-Americana de Saúde, referentes ao trabalho dos cubanos, Julio e sua família vão ficar com cerca de R$ 2,3 mil. O restante é retido por Cuba, que durante os três anos que os médicos vão ficar aqui continuará depositando o salário deles. “O que vai para lá será reinvestido na área de saúde. Não é para mim. É para todo mundo”, explica Julio, sem se mostrar incomodado.
Cidade que mais avançou
A chegada de 70 médicos estrangeiros, sendo 65 vindos de Cuba, vai elevar o Rio ao patamar de cidade que mais avançou a curto prazo em cobertura de saúde da família. A partir de amanhã, o cadastro de controle da Secretaria Municipal de Saúde passa a registrar mais 300 mil cariocas com atendimento monitorado pelo programa. Com isso, serão, no total, 2,83 milhões de pessoas monitoradas pelos postos de saúde e Clínicas da Família. Com o reforço vindo de outros países, esse percentual vai saltar dos atuais 41% para 45%.

Até o momento, a prefeitura não tem registro de problemas com médicos estrangeiros. Pelo contrário. A aceitação tem superado as expectativas. Acostumada a atender em localidades de extrema miséria, em países como Honduras e Bolívia, Leonor Maria Pérez, 48, acha que a profissão é uma atividade humanitária. “Todo médico deveria trabalhar em regiões carentes. A gente estuda é para isso, para ajudar as pessoas”.
Medo da violência noticiada
A rotina no Rio é parecida com a de Cuba. São 40 horas por semana, mas lá os médicos trabalham quatro horas todos os sábados. Assim como o colega que atua em Vila do Céu, José Manuel Anaya, 45, que trabalha no Centro de Saúde de Inhoaíba, passou pela Venezuela. Também esteve em Gana antes de vir para o Brasil.
No Rio, admite ter medo da violência: “Vejo nos jornais que aqui tem três, quatro mortos por dia. Por isso, estou sempre atento”, afirma o cubano, que ainda não teve tempo para conhecer pontos turísticos da cidade